Por que a inteligência artificial não irá acabar com o mundo

Muitas mentes influentes tem alarmado a sociedade com entrevistas explicando ou mesmo sem explicar alertando que devemos temer a inteligência artificial, como exemplo Stephen Hawking [1], Elon Musk[2] e muitos outros  falaram sobre isso. Mas estou aqui para contra argumentar isso, graças as luzes de outro cientista muito famoso que já se foi, Carl Sagan. Isso mesmo, esse cara é tão genial que a mais de vinte anos atrás quando nem a internet estava popularizada ele já conseguiu explicar para as massas (eu entendi, qualquer um consegue) o porque as máquinas não vão dominar o mundo, não se preocupe, vou lhe ajudar a entender um pouco mais disso nos próximos parágrafos.

Tudo começa com o livro que estou lendo dele chamado Bilhões e bilhões[3], que encontrei em uma prateleira de cafeteria e pedi se podia pegar emprestado. E de acordo com a descrição foi seu último livro escrito por Carl, no qual divaga por vários assuntos, sempre com uma narrativa for dummies da ciência. No capítulo dois (o tabuleiro de xadrez persa) ele toca no ponto mais crítico para que a IA domine (ou não) a humanidade um dia, ponto que também é crítico em muitos aspectos na natureza, as exponenciais.

As exponenciais estão por todo lado na natureza, e por consequência, na tecnologia também, porém em todas as vezes que vejo as pessoas falando sobre crescimentos exponenciais não vejo analisando como este processo funciona no total do tempo, apenas para alguns pontos dele. Para entender o que quero dizer vamos começar com um exemplo bem simples, o mesmo usado no livro já citado, a reprodução das bactéria, e depois iremos desenvolver alguns outros até chegar na inteligência artificial.

Considerando que uma bactéria que vive no nosso corpo tem um ciclo de divisão de 15 minutos, e começa apenas com uma unidade, em um dia isso resulta em 96 duplicações. Isso quer dizer o que ? Que se (como no livro) considerarmos o peso de uma bactéria em um trilionésimo de grama, depois de um dia reproduzindo-se ela pesaria o mesmo que uma montanha. A conta é simples: Peso de uma bactéria * total de bactérias no final do dia.

Peso da bactéria = (10 * – 12) gramas
Numero de bactérias = 2 95 (um número grande pra caralho).
Apesar de isso por si só já ser assustador o problema real começa ao notarmos que depois de um dia e meio as bactérias já terão o peso da terra e depois de dois dias o peso do nosso querido sol. Mais então chegamos no ponto que todos se esquecem de falar sobre, o por que isso não acontecer. Em todos os casos existe algum obstaculo natural, então em algum momento essa curva exponencial se torna estacionária e estável. No caso das nossas amigas bactérias os problemas podem ir desde ficar sem alimentos até matarem umas as outras. Abaixo coloquei duas imagens, a primeira é a de como a maioria das pessoas pensa neste fenomeno quando o conhece, ou seja, apenas a parte exponencial e a segunda figura retrata todo o ciclo de vida, não apenas até a parte exponencial.

 

exp-partial

FIGURA 1: Ciclo parcial

exp-total

FIGURA 2: Ciclo completo

Com este exemplo já conseguimos abrir os olhos para o fato de que se qualquer exponencial for realmente exponencial ela acabaria engolindo o mundo, então todas possuem um ponto estacionário, o qual geralmente não fica muito além do inicio. Carl Sagan ainda cita dois outros excelentes exemplos e os explica de maneira detalhada no livro, um deles é a propagação da AIDS e o outro é o crescimento populacional da terra (leia o livro, é mt bom!!).

PS: Durante a correção ortográfica me lembrei também de um exemplo que o próprio Stephen Hawking cita me seu livro, a expansão do universo, que agora está acontecendo de maneira exponencial, mas em algum tempo no future deixará de acontecer e o processo se tornarão o inverso, ou seja, uma redução.

Na natureza temos muitos exemplos que seguem esta regra, mas vamos voltar ao que nos interessa, a tecnologia, acho que o primeiro ponto a se abordar e o que deve ter iniciado a teoria de crescimentos exponencias na tecnologia foi a lei de Moore. Gordon Moore foi um dos fundadores da Intel, uma companhia que hoje em dia domina o mercado de processadores. Em 1965 Moore escreveu um artigo explicando como o tamanho dos transistores fabricados tende a cair pela metade a cada 18 meses, ou seja, a cada 18 meses eu consigo colocar o dobro de transistores na mesma área de um chip de silício. Pra quem tiver curiosidade em ler o artigo pode o acessar no link [4]. A predição dele foi muito boa, e por até o momento por isso se cumprir (na verdade não é bem assim que funciona) a profecia é conhecida como Lei de Moore. Ache o erro na figura 3.

moores-law

FIGURA 3: Lei de Moore

Se você está falando que o erro está em ser uma linear ao invés de uma exponencial você ERROU, preste atenão na escala de Transistores por chip do lado, está incrementando no expoente, apenas para facilitar a visualização. A questão aqui é, a figura 3 é a equivalente a figura 1 ou equivalente a número 2 mostrada anteriormente ? Isso mesmo, a figura mostrada não nos diz sobre todo o ciclo dos chips de silício, apenas à parte que toca à exponencial, e qual é o ponto estacionário da natureza aqui ? Mas peraí, por que precisamos de um ponto estacionário se não estamos lidando com a natureza ? Na verdade, sempre lidamos com a natureza, se o homem o criou e o homem é a natureza então a coisa criada também é parte dela (talvez tivéssemos uma discussão nesta parte, mas pulo isso para uma próxima vez). No nosso caso, o que Moore não previu, foi que em algum momento os transistores ficariam tão pequenos que não fosse mais possível diminuir eles sem causar interferências de sinal, e no momento em que estou escrevendo este artigo (2016) este ponto está bem próximo. Existem muitas materias que falam sobre isso, deixarei elas nos links citados [5, 6, 7 e 8] .

Claro, nossa necessidade de mais processamento não vai terminar com a lei de Moore, o mais provável é que encontremos um novo elemento que não o silício para o substituir que terá uma das duas propriedades, o primeiro ponto no gráfico é um pouco superior ao do sílicio ou sua exponencial durará mais tempo, ambas as propriedades obterão uma melhora significativaem relação a tecnologia antiga quando comecarem a atingir seu crescimento exponencial. Porém um dia isso terminará e esse ciclo se perpetuara para outros elementos.

Agora vamos ao ponto central da discussão, a inteligência artificial, não, debater crescimentos exponenciais é muito empolgante, acho legal antes de chegarmos ao nosso destino falarmos um pouco sobre a inteligência humana. Se você parar para pensar o desenvolvimento do cérebro humano segue o mesmo padrão de todas as exponenciais apresentadas até o momento, esse é o único motivo de não vivermos em uma guerra de humanos-deuses hoje em dia. Como mostra na figura quatro, o ritmo de aprendizagem do ser humano segue o mesmo padrão, tendo está hipotese em vista, posso inferir que funciona da mesma maneira para uma visão mais macro de todas as coisas, ou seja, apesar de em alguns momentos nossa visão da vida como um todo evoluir de forma exponencial, isto não se mantém pra sempre.

learn-curve

FIGURA 4: Curva de conhecimento

Agora sim, o assunto que fez você iniciar esta leitura, a inteligência artificial, não sei se existe muito o que explicar sobre a razão da inteligência artificial não ser este monstro que comerá o mundo que muitas pessoas andam temendo nos últimos tempos. Claro que meu viés (desculpe-me Carl Sagan), pode ser falso caso o ponto de estabilização da IA seja algo muito além onde o ponto em que a humanidade se encontra, mas temos em vista que muitas coisas podem parar a IA antes que ela passe o ser humano, um ponto bem curioso aqui é que este ponto de parada pode ser justamente a humanidade, puxando a tomada. A realidade é exponencialmente (mas só até um certo ponto) mais complicado que isso, mas se puxarmos muitas tomadas ao mesmo tempo, acredito que possamos desligar computadores e redes. Outros pontos que podem levar a horizontalidade da IA, o poder disponível de processamento, já que máquinas não terem a mesma disposição do cérebro e isso requerer máquinas muito mais complexas (ou muito mais máquinas) para simular uma parte do nosso cérebro. E ainda sim, estamos falando sobre as funcionalidades que temos conhecimento, não podemos sequer afirmar com 100% de certeza que uma máquina pode simular algo que nós próprios não temos nem ideia de como funciona por completo.

Ainda sim, se em algum momento a inteligência artificial passar o ser humano por que o cenário de guerra é tão eminente, por que essa consciência inteligente não iria inferir que manter os humanos em harmonia é uma ideia melhor do que travar uma guerra ? Na verdade, eu não sei, você não sabe, ninguém tem certeza sobre o que irá acontecer, mas no meu ponto de vista existe muito mais possibilidade quais não levaram isso à acontecer se comparado as possibilidades que visualizam a raça humana escrava de uma nova raça criada por ela mesma.

Caso eu tenho fornecido alguma informação totalmente incorreta, por favor, comente ou mande para pmargreff@gmail.com que eu irei corrigir o mais rápido possível.
That’s all folks.

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