Propriedade intelectual

Essa semana eu estava dando uma olhada em um grupo de discussões de um dos podcasts que costumo ouvir e me deparei com um debate muito interessante. Onde alguém teve a ideia de criar com a ajuda de alguma ferramenta ou mesmo um site para o compartilhamento de livros. Claro que quando digo compartilhamento quero dizer que lá seriam depositadas cópias não autorizadas.

Então um lado começou a defender que todo conhecimento deveria ser livre, outros começaram a dizer que isso desvaloriza todo o trabalho do autor e outros falavam que esses livros poderiam ser gatilhos para insights que seriam de alguma forma maiores ou mais relevantes que o próprio livro. Eu realmente não tenho opinião definitiva sobre isso (na verdade o que fiz naquele momento foi criar um repositório no github para que todos tivessem acesso aos livros que eu possuo), mas é um assunto interessante de ser debatido e ambos os lados existem argumentos razoáveis e também argumentos falhos.

Um dos pontos de vistas que achei muito bom em defesa de disponibilizar livros eram as pessoas que declaravam que após ler algo que gostasse adquiria o livro. Esse seria o argumento ideal para criar repositórios com toneladas de material, mas claro que para muitas pessoas isso não é um motivo que faça comprar o material. Mas mesmo a pessoa não comprando o material ela pode ser um ativo como um alguém que recomenda ou até mesmo ser um futuro público-alvo do autor.

E mesmo tendo alguma perda imediata, podemos ter um ganho através do “marketing pirata” no médio/longo prazo. Para isso acontecer teríamos que garantir através de qualidade, ou algum tipo de bônus que a cada x cópias piratas teríamos um comprador das próximos edições ou versões de material. Isso não serve de apenas para livro, mas sim para qualquer tipo de conteúdo que envolva o que comumente chamamos de “propriedade intelectual”. Uma tática para evitar isso é fazer algo no estilo que a Bel Pesce faz com seus livros, a verão digital é disponibilizada online, assim se alguém for baixar pode fazer gratuitamente em seu site, caso queira comprar ela tem essa opção também (assim ela conseguiu maisde 1.000.000 de downloads em seu primeiro livro) mas a experiência completa envolve além do livro cursos, palestras, coach e até mesmo viagens com a Bel. Ela com certeza não teria esse alcance se cobrasse pelo livro, ainda mais em um pais como o Brasil, que em 2014 70% da população não leu um livro. Mas sempre terei que fazer dessa maneira para monetizar um livro? Existem muitas maneiras de fazer isso, depende apenas de sua criatividade, é como o McDonald’s que apesar de ganhar dinheiro vendendo hamburgers, não faz desse a sua principal fonte. 

Outra solução que eu achei razoável para a solução do problema e talvez seja a que mais tem chance de dar certo, foi mencionada por um membro do grupo durante a discussão que seria o modelo onde o acesso pelo consumidor final do material seria gratuitamente, mas caso o material de alguma maneira fosse usado para agregar a um produto pago (um curso por exemplo), esse deveria receber uma parte do lucro. Essa visão segue o mesmo modelo de uma das licenças de softwares (não lembro o nome agora) que permite a incorporação de código gratuitamente se esse for distribuído na mesma condição e caso essa incorporação venha a gerar algum tipo de lucro, uma parte é repassada para o fornecedor original do código. A única falha nessa sugestão seria a maneira de controlar por quem/como o material (vídeo, livros, etc.) ele está sendo usado, que no caso do software é um pouco mais fácil de se comprovar/identificar.

Resumindo, o que servia no século ou mesmo na década passada não pode mais ser usado como modelo de negócio. Hoje em dia as pessoas tem que se desapegar da ideia de propriedade intelectual pois é muito fácil conseguimos copiar o material e o distribuir, seja ele físico, digital ou mesmo conceitual. O que podemos (deveríamos seria a palavra correta) fazer é usar isso apenas como mais uma ferramenta do nosso inventário, fazendo com que o acesso gratuito ao material seja estimulado pelo próprio criador e seja um aliado na hora de gerar um valor agregado tão grande do conteúdo fazendo com que o cliente pague para ter a experiência completa. Se isso for feito de maneira todos os lados ganham, a pessoa que não iria pagar que agora tem acesso mais facilmente ao material e com uma qualidade maior, a pessoa que paga que além de ter a experiência gratuita tem acesso a conteúdo plus, e claro o produtor que tem um maior alcance, além de conseguir converter potenciais clientes em consumidores de seu produto/marca.

That’s all folks.

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